Essa vai entrar para a história.
De todas as opiniões já emitidas a respeito da crise econômica internacional, a mais bombástica, sem dúvida, foi a do Presidente da República.
Não que ele tenha dito alguma grande novidade. Qualquer um que tenha acesso ao noticiários já tem alguma noção de que as coisas não andam nada fáceis. O que chamou mais a atenção foi a forma como nosso chefe de governo se referiu à situação.
A analogia, ainda que não tenha sido das mais elegantes, até que foi adequada. Diarréia me parece um termo que se presta bem a descrever o comportamento de pessoas que agem sem se preocupar com nada, movidas apenas pelo pânico. E é assim que os operadores do mercado financeiro têm se comportado ultimamente: como alguém que está com diarréia; como alguém que corre primeiro e pensa depois.
Também não foi a primeira piada gerada pelo comportamento do mercado. Dia desses, ouvi um economista dizer que o mercado parece um bando de meninos assustados, entrando em pânico por qualquer coisa.
Original, aqui, foi o uso da linguagem perpetrado pelo ilustre dignitário. Bem que a assessoria da Presidência tentou abafar o caso, mas, na era da internet e da TV digital, não teve jeito. O “meu, sifu” do Presidente Lula retumbou em todos os cantos, como um bumbo na pausa.
Sejamos honestos: ele expressou em palavras – ainda que pouco honrosas – o sentimento geral. É o que todos parecem crer, ainda que essa crença beire a esquizofrenia. Mas, convenhamos: há modos mais elegantes de dizer isso, especialmente quando quem fala ostenta a faixa presidencial, não?