Minhas homenagens ao ícone que jamais conheci. Quando ele se foi, eu ainda usava fraldas. Sérgio Porto. E meu pedido de licença para, nesta era de franquias de minisséries televisivas, abrir uma franquia de seu consagrado Febeapá.
Certa feita, um amigo me lançou um desafio: explicar-lhe Habermas. Depois de uma tarde de debates e diagramas, esse amigo chegou à seguinte conclusão:
- Foi por isso que eu tive tanta dificuldade de entender Habermas: não há o que entender.
Pois é. Aí ele me lançou outro desafio: traduzir Habermas para uma linguagem acessível. Passei um bom tempo –- mais de um ano – pensando em como fazer isso.
O pensamento de Habermas é como a realidade brasileira: a redução ao absurdo é dispensável, pois ele – o absurdo – está estampado em toda a obra. Mas seria supervalorizar demais o filósofo alemão se lhe concedessem todo o crédito por essa façanha. Afinal, seu pensamento é fruto de um vasto – e equivocado – trabalho de pesquisa e de um não menos vasto – e não menos equivocado – esforço de interpretação. Por isso, e pelo fato de que Habermas se tornou um deus para os discentes e docentes universitários brasileiros, foi que me ocorreu a idéia de, na comemoração dos quarenta anos da morte de Sérgio Porto, e lançando mão do já consagrado recurso de criar franquias em cima da obra literária dos outros, produzir, aqui, o Festival de Besteiras que Assolam a Filosofia – FEBEAFÍ –, um descarado plágio do Festival de Besteiras que Assolam o País.
E nem em plagiar estou sendo original. Reconheço que, neste aspecto, me inspirei em Jürgen Habermas: o mais profícuo plagiador de que a filosofia contemporânea já teve notícias.
Não poderia ser outro, portanto, o primeiro alvo do nosso FEBEAFÍ. Com vocês, Jürgen Habermas.
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